Branding no desenvolvimento de produto: o case de Saal

Rapha Clubhouse com café, loja e espaço de encontro para ciclistas

O case de Saal mostra como construção de marca e design de produto podem caminhar juntos desde o início.

Na maioria dos projetos, é comum que o branding entre quando a solução já está praticamente pronta. Em alguns casos, é só depois que tudo foi desenhado e as funcionalidades foram definidas que surge a necessidade de pensar em nome, identidade visual e materiais de lançamento.

Isso pode fazer sentido em partes. Mas também pode deixar escapar algo importante. O branding não serve só para comunicar para fora. Ele também ajuda a construir o projeto por dentro, organizando ideias, dando direção e transformando uma ideia em algo mais claro e estruturado.

E essa foi a premissa do trabalho com a Saal.

O produto existia. A marca, ainda não.

A Saal nasceu dentro da Dip Studio, empresa especializada em design de produtos. Alex Cordeiro, fundador da Dip, estava desenvolvendo uma solução para a rotina de quem surfa: uma surfbag inteligente, pensada para o antes e o depois do mar, unindo funcionalidade, mobilidade e lifestyle num só produto.

Imagem que mostra possíveis desenhos da surfbag.

A ideia tinha forma e potencial, mas faltava uma marca capaz de sustentar tudo isso.

Então, iniciamos o projeto. A Dip cuidava do desenvolvimento. A Bradda entrou para construir a marca. E foi nesse encontro que as coisas começaram a ganhar forma.

Como Alex coloca:

“A gente tinha o produto, mas não tinha a marca. As informações estavam dispersas, e o processo ajudou a colocar tudo no papel, organizar o que eu já tinha na cabeça e dar uma direção mais clara para o projeto.”

Essa situação é mais comum do que parece. Em startups, projetos autorais e marcas em fase inicial, muitas vezes existe uma solução relevante, uma oportunidade clara, e até mesmo um protótipo rodando. Mas o que falta é uma narrativa para transformar tudo isso em marca.

Duas frentes, uma direção

Branding e desenvolvimento de produto partem de perguntas diferentes, mas que se completam.

O branding organiza o significado: o que essa solução representa, como será percebida, que universo cria ao redor de si, por que alguém deveria se importar com ela.

O design investiga o uso: como a solução funciona, que materiais fazem sentido, quais dores resolve, como simplifica ou melhora uma experiência.

Branding e desenvolvimento de produto sendo desenvolvidos juntos.

Na Saal, as duas frentes correram em paralelo. Enquanto a Dip explorava usabilidade, modularidade e as necessidades práticas da rotina do surfista, a Bradda trabalhava no significado que a marca deveria construir no mercado, moldando como a Saal seria percebida e que território ocuparia.

O desafio era encontrar o equilíbrio certo: comunicar praticidade sem perder a conexão com o lifestyle do surf, resolver problemas concretos sem soar técnica demais, ter presença visual sem cair nos clichês do segmento.

Quando o branding entra cedo em um projeto assim, ele ajuda a transformar atributos técnicos em benefícios mais fáceis de comunicar, conecta produto e narrativa, constrói percepção de valor e cria uma base para a marca crescer depois do primeiro lançamento.

Saal: Surf As A Lifestyle

O nome foi uma das decisões mais importantes do projeto. Depois de muito tempo envolvido com o desenvolvimento da surfbag, Alex precisava de uma perspectiva externa, alguém que pudesse olhar para a ideia sem o peso de tudo que já havia sido pensado, descartado e refeito.

O processo de naming não tratou apenas de encontrar uma palavra interessante. Ele ajudou a definir o território da marca, o que a Saal poderia representar e que espaço poderia ocupar no mercado.

Saal nasce de Surf As A Lifestyle . Sintetiza a visão do surf não como esporte, mas como modo de viver e encarar a rotina. É curto, sonoro e internacional. Além disso, carrega uma camada conceitual, abrindo espaço para falar sobre movimento, liberdade, rotina e experiência.

Alex descreve bem o que esse processo representa:

“As reuniões e as conversas com outros criativos ajudaram não só a explicar o projeto para os outros, mas também para mim mesmo. Foi uma forma de definir melhor a direção da marca.”

Usuário usando a mochila.Usuário usando a mochila.

Uma identidade com cara de marca de verdade

Com estratégia e nome definidos, a identidade visual precisava traduzir a tensão central da marca: de um lado, a precisão de uma solução modular e funcional; de outro, a fluidez do universo do surf.

Em termos de percepção, a marca precisava ter energia e movimento, com uma estética que se distanciasse dos clichês do segmento. Em termos práticos, precisava funcionar na vida real, em todos os pontos de contato, do produto ao site, das redes sociais à campanhas e materiais de lançamento, sem perder consistência.

O resultado desse trabalho apareceu logo. Em uma ativação pré-lançamento na praia, Alex percebeu algo que resumia bem o que a identidade havia construído:

“Ver as pessoas usando camiseta e boné da Saal dava a percepção de que a marca já existia. Parecia uma marca de verdade, uma marca conhecida.”

Usuário usando a mochila.

Quando a marca torna a ideia mais real

Nesse case podemos ver o papel do branding como uma ferramenta de materialização. Em projetos que começam do zero, a marca não serve apenas para a comunicação com o público, ela também ajuda a organizar por dentro.

Quando estratégia, nome e identidade começam a tomar forma, o projeto ganha vocabulário. Fica mais fácil apresentar a ideia para um investidor, para um parceiro, para um fornecedor. E, talvez mais importante, fica mais fácil para o próprio criador enxergar caminhos futuros.

Alex resume isso de forma direta:

“A marca deixou o projeto muito mais real. Quando você tem algo concreto para mostrar, não é mais só uma ideia. Isso ajuda a apresentar o projeto para outras pessoas e também dá mais vontade de continuar desenvolvendo.”

Imagem que mostra a surfbag com a aplicação da marca

Uma marca com espaço para evoluir

Depois da construção da marca, a Saal continuou avançando. Após a campanha no Kickstarter, plataforma de financiamento coletivo usada por marcas e criadores para validar e pré-vender novos produtos, os próximos passos envolvem a entrada em canais como Amazon e Shopify, a aproximação com o varejo e o desenvolvimento de novas versões da solução.

Nesse processo, a resposta do público trouxe uma percepção importante. A necessidade por praticidade, organização e conforto depois do contato com a água não se limita necessariamente ao universo do surf, e isso amplia as perspectivas sobre o futuro da marca.

“O surfista é o público mais afetado por esse problema, mas talvez a marca possa abrir um pouco o leque. A solução também faz sentido para outros esportes aquáticos e para qualquer pessoa que vai à praia e precisa se trocar, se organizar e carregar tudo de forma mais prática.”

Essa é uma das vantagens de construir uma marca com elasticidade desde o início. A Saal nasceu a partir do surf, mas o território que ela ocupa é maior do que um único segmento. Lifestyle, praia, movimento e organização são pontos de conexão com públicos bem mais amplos. Isso cria espaço para crescer sem precisar reinventar a marca a cada nova fase.

O que o case de Saal ensina

O case Saal nos mostra o que acontece quando branding e desenvolvimento de produto trabalham juntos desde o começo.

O design dá forma à solução. O branding organiza o significado dela no mercado. Quando os dois caminham juntos, o projeto ganha clareza, a marca ganha consistência, e a ideia ganha força para sair do papel.

Para a Bradda, esse trabalho comprova que a marca não é somente aquilo que aparece no final do processo. Marca é o que ajuda a ideia a encontrar direção desde o início.

Confira o case completo de Saal no nosso site.

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